quarta-feira, 19 de setembro de 2012

|ESTUDO| Maomé e seus Casamentos mais Chocantes


Octavio da Cunha Botelho
 
(Obs: este estudo está disponível em versão mais atualizada em:
http://observadorcriticodasreligioes.wordpress.com/2014/01/04/maome-e-seus-casamentos-mais-chocanters/)
Cena do filme Innocence of Muslims
Atualmente testemunhamos uma onda de violência, da parte de muçulmanos inconformados com a produção de um filme denominado Innocence of Muslims (A Inocência dos Muçulmanos) exibido uma única vez nos EUA para um número pequeno de espectadores sem ser lançado no circuito, mas parcialmente disponibilizado no YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=lO7jZfQspXA) em uma montagem de trechos com a duração de 13,5 minutos. Pelos curtos episódios disponíveis nesta edição resumida, é possível perceber que filme é um deboche da pessoa de Maomé e do Alcorão. O profeta do Islã é representado como um tolo, um mulherengo, um extorsionário e um saqueador impiedoso, e o Alcorão como um livro que legitima a crueldade e os interesses de Maomé.
Segundo as investigações até agora, o produtor é um californiano chamado Nakoula Basseley Nakoula (55), um cristão copta que está em liberdade condicional depois de uma condenação por crimes financeiros. O elenco do filme agora alega que foi enganado pelo produtor, o qual, após as gravações, dublou as falas dos diálogos para alterar o texto. Os atores não sabiam que se tratava de um filme sobre Maomé, pois foram informados que o filme se chamaria O Guerreiro do Deserto. A qualidade é muito precária, com um orçamento muito pequeno, o que nos faz lembrar uma produção amadora. O elenco é totalmente desconhecido, o ator que interpreta Maomé tem a aparência de um surfista californiano. Algumas cenas no deserto são captadas no interior de estúdio, com as imagens dos atores sobrepostas às imagens do deserto ao fundo, porém com tanta artificialidade, que é possível perceber as sombras da iluminação artificial de estúdio sobre os atores.
Maomé numa cena de fúria no filme Innocence of Muslims
Diante destas ocorrências, amigos e leitores do meu blog estão me solicitando que escreva algo. Então, para aproveitar que o assunto ainda está em ebulição, acrescento abaixo um breve estudo sobre os mais chocantes casamentos de Maomé, desde uma perspectiva crítica. Algumas destas esposas são mostradas nesta montagem resumida do filme, inclusive sua primeira esposa Khadija, numa cena sensual. Mais adiante, quase no final, Maomé é flagrado na cama com a escrava de uma de suas esposas, ao depara-se com a cena, ela se enfurece e lhe aplica uma surra de chinelo com a ajuda da sua subordinada.

O primeiro casamento

Maomé se casou pela primeira vez aos vinte e cinco anos de idade com uma viúva rica de quarenta anos, a qual já tinha dois casamentos anteriores, portanto quinze anos mais velha que ele, chamada Khadija. Ela o colocou na administração dos seus negócios, uma vez que até então ele não possuía trabalho fixo, como um agente comercial, e pelos relatos nas biografias, ele se saiu bem. Os críticos percebem neste evento o oportunismo de Maomé em casar-se por dinheiro, é o que alguns denominam através da expressão popular de “golpe do baú”.  Seu casamento com Khadija durou vinte e cinco anos, até o falecimento de sua esposa aos sessenta e cinco anos de idade. Durante todo o seu período de casado, ele não teve nenhuma outra esposa e viveu dos negócios da empresa comercial da mulher. Pois, como observa Anwar Hekmat: “Khadija era uma mulher muito capaz e rica, e em vista do fato que ela era de um clã influente de Meca, é muito provável que ela tenha estipulado uma cláusula no seu contrato de casamento evitando que seu marido casasse com outra mulher. Antes, as mulheres islâmicas na Arábia eram mais independentes do que elas são hoje no Islã. (...) Financeiramente, Maomé era muito dependente de sua rica esposa, mas é claro que ela não teria suprido ele com meios bastantes para se casar com outra mulher” (Hekmat, 1997: 41).  Do que foi dito acima, não é difícil deduzir que Maomé, durante os anos que conviveu com Khadija, se comportou como um marido bem submisso da esposa, muito diferente da orientação no Alcorão IV: 34: “Os homens têm autoridade sobre as mulheres pelo que Deus os fez superiores a elas e que gastam de suas posses para sustentá-las...”.
Pintura de Maomé e Khadija
Depois da morte de Khadija, “como ele (Maomé) não tinha mais que trabalhar para seu sustento, ele gastou a maioria do seu tempo batendo papo com as pessoas que ele tinha a oportunidade de encontrar nas viagens e estudar as vidas sociais e crenças religiosas de outros povos fora de Meca” (Hekmat, 1997: 40). Bem, tudo que Maomé aprendeu, teve de ser através de bate papo, uma vez que era analfabeto. A prova de que ele foi um marido submisso enquanto casado com Khadija está no fato que, assim que esta sua primeira esposa faleceu, ele viu a oportunidade de extravasar todo o seu apetite sexual, reprimido durante aqueles anos, e se casou em seguida com várias esposas, inclusive com uma criança de nove anos (Aisha) e com sua nora (Zaynab). Nas palavras de Anwar Hekmat: “Maomé pode ter reprimido suas paixões sexuais não se atrevendo a revelá-las abertamente enquanto sua poderosa esposa estava viva, mas da descrição que ele fornece do paraíso no Alcorão, pode-se seguramente admitir que a ideia de desfrutar a companhia de jovens e belas mulheres era uma qualidade inata e sempre foi um papel dele enquanto viveu.” (Hekmat, 1997: 42). Seu apetite estava tão reprimido que o segundo casamento aconteceu apenas poucos dias após a morte de Khadija.

Os casamentos mais chocantes

Sua segunda esposa foi Sauda, a ex-esposa de um dos seus seguidores que tinha se mudado para a Etiópia, estando lá, seu marido abandonou o Islã e se converteu ao Cristianismo.  Sauda então abandonou o marido e retornou para Meca. Segundo a lei islâmica, qualquer mulçumano que muda de religião e assim torna-se um apóstata é considerado um divorciado de sua esposa, e não sendo mais legalmente ligado a ela. Com seu retorno à Meca, Maomé a tomou como esposa e consumou o casamento. Isto aconteceu apenas poucos dias após a morte de Khadija. Porém, Sauda permaneceu apenas poucos meses na companhia de Maomé (Hekmat, 1997: 43).
Foram tantas esposas que as biografias divergem quanto à quantidade. Os números podem variar de quatorze até vinte e um, mas a maioria dos biógrafos concorda em quatorze (Hekmat, 1997: 33-4). A dificuldade em estimar com precisão reside no fato que, além de esposas, ele desposou concubinas, escravas e prisioneiras de guerra. Portanto, seu harém se tornou numeroso e diversificado após a morte de sua primeira esposa. Ademais, ele se casou com algumas viúvas de seus companheiros mortos nos campos de batalha, e a justificativa para tal ato, pelos apologistas do Islamismo, é que ele desposou estas viúvas para lhes dar proteção (Robinson, 2003: 92). Bem, agora seria interessante saber por que é necessário se casar com alguém para lhe dar proteção.
Maomé na cama com Aisha
Não cabe aqui tratar de todos os numerosos casamentos de Maomé, portanto, dos tantos matrimônios, dois foram os mais chocantes. O primeiro foi com uma criança de nove anos, chamada Aisha, sua terceira esposa. Uma prática de pedofilia por alguém que se proclamava mensageiro de deus. Ela era filha de um grande amigo de Maomé, Abu Bakr, um dos seus primeiros seguidores e que depois se tornaria o primeiro Califa (sucessor) no Islamismo. O contrato de casamento foi feito quando Aisha ainda tinha seis anos de idade. Nas assustadoras palavras de Anwar Hekmat: “O apóstolo de Alá, na sua paixão de possuí-la, estava com tanta pressa que não esperou sequer pela chegada da noite, ele pediu à mãe da noiva para enviá-la para sua cama nas primeiras horas da manhã logo após a cerimônia de casamento” (Hekmat: 1997: 43). Quando esta união aconteceu, Maomé tinha mais de cinquenta anos de idade, portanto idade suficiente para ser avô de Aisha e, também, era mais velho que o pai dela, Abu Bakr. O relato seguinte é tão absurdo que chega ser cômico: “A garota era tão criança que, de acordo com os biógrafos islâmicos, ela levava seus brinquedos para a cama do Profeta. A pequena garota tinha permissão de manter seus brinquedos e suas bonecas, e algumas vezes o Profeta brincava de jogos com ela” (Hekmat, 1997: 45).
O próximo casamento chocante foi com sua nora (Zaynab), ou seja, a filha de seu filho adotivo, Zayd. Um caso incestuoso que teve origem num ato de explosão passional de Maomé. Veja a narração deste episódio por Hekmat: “Um dia Maomé foi inesperadamente até a casa de seu filho adotivo. Zayd não estava em casa, mas a nora recebeu seu sogro mesmo que ela não estivesse completamente vestida. Sendo sua nora, ela provavelmente não se importou de se vestir ou de se cobrir completamente. Maomé não deixou de notar as belezas ocultas de sua nora, e após murmurar algumas palavras incoerentes, ele exclamou: Louvor a Alá, o mais elevado; louvor a Alá, que muda o coração dos homens” (Hekmat, 1997: 56). Daí nasceu a paixão de Maomé por sua nora Zaynab, uma paixão que ele entendeu como motivada por deus. Esta união incestuosa é relatada também no Alcorão (33: 37) com a aprovação de Alá: “... E quando Zayd satisfez seu desejo de sua mulher, nós ta demos em casamento para que os crentes soubessem que não é um crime para eles casarem-se com as mulheres de seus filhos adotivos, uma vez que estes tenham satisfeito seu desejo delas. O mandamento de Deus é sempre cumprido” (Palmer, 1994: 144; Ali, 2002: 1118 e Challita, 2002: 226). E tudo que foi relatado acima é legitimado pelo Alcorão: “Ó Profeta, tornamos legais para ti as tuas esposas que dotastes e as escravas que Deus te outorgou, e as filhas de seus tios paternos e maternos, e de tuas tias paternas e maternas que emigraram contigo e qualquer outra mulher crente que se oferecer ao Profeta e que ele quiser desposar: privilégio teu, com exclusão dos demais crentes – sabemos o que lhes impusemos com relação às suas esposas e escravas – para que ninguém possa censurar-te. Deus é compassivo e misericordioso” (33: 50 – Arberry, 1955: 126-7; Palmer, 1994: 146; Ali, 2002: 1122 e Challita, 2002: 226). 
De tudo que foi dito acima, para o Alcorão, deus aprova e incentiva o incesto privilegiado, a poligamia, o pagamento de dote, a pedofilia e a escravatura.

Bibliografia

ALI, Abdullah Yusuf (tr.). The Holy Qur’an: Text, Translation and Commentary. New York: Tahrike Tarsile Qur’an Inc, 2002.
ALI, Maulana M. (tr.). A Manual of Hadith. Lahore: The Ahmadiyya Anjuman Ishaat Islam, 1944. 
ARBERRY, Arthur J. (tr.) The Koran Interpreted. New York: Macmillan, 1955.
CHALLITA, Mansour (tr.). O Alcorão. Rio de Janeiro: ACIGI, 2002.
COOK, Michael. Muhammad. New York/Oxford: Oxford University Press, 1996. 
HEKMAT, Anwar. Women and the Koran: The Status of Women in Islam. Amherst: Prometheus Books, 1997.
MOTZKI, Harald (ed.). The Biography of Muhammad: The Issue of Sources. Boston/Leiden: Brill Academic Publishers, 2000.
PALMER, E. H. (tr.) The Qur’an (Sacred Books of the East, vol. 09). Delhi: Motilal Banarsidass, 1994.
PETERS, Francis E. A Reader on Classical Islam. Princeton: Princeton University Press, 1994. 
ROBINSON, Neal. Islam: A Concise Introduction. London/New York: RoutledgeCurzon, 2003.
WARRAQ, Ibn. Why I am not a Muslim. Amherst: Prometheus Books, 1995. 
_____________ (ed.). The Origins of the Koran: Classic Essays on Islam’s Holy Book. Amherst Prometheus Books, 1998.
_____________ (ed.). The Quest for the Historical Muhammad. Amherst: Prometheus Books, 2000.
WILLIAMS, John A. Islam. New York: George Braziller, 1961.  


5 comentários:

  1. Trágico, se não fosse cômico!!!

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  2. Por isso que detesto todas as religiões,pois todas são errôneas e incógnitas,não cumprem com o que pregam,e incentiva o preconceito étnico e religioso...É lamentável!
    E essas pessoas como Maomé,são retratados como uma divindade,sendo ele arrogante,pretencioso,pedófilo e ganancioso.Enquanto pessoas que realmente fizeram algo para tornar o mundo a qual vivemos melhor,exemplo:Irena Sandler,Chico Xavier(como pessoa), Flor-de-Liz,Alberth Einstein(grande pacifista,apesar de ser o criador da bomba atômica),Charles Chaplin,etc...
    Revejam seus conceitos e virtudes,não se deixem manipular e se for fiel à alguma religião,cumpra com o que está no papel,que na maioria das vezes é excelente...

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  3. Valorizem a vida,ela é única e de valor incomensurável!!!!
    "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo,qualquer um pode recomeçar agora e fazer um novo fim."
    O mesmo que comentou acima...
    Bjosssss
    Ass:fã de Renato Russo

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  4. Esqueceu de escrever que ele incentivou ao homicídio, a morte do judeu, a guerra "santa"(que de santa não tem nada), a agressão da mulher, além de criar um céu com mansões e virgens. Eu não tenho religião mas não sou ateísta. Porém jamais seria muçulmana. Difícil descer pela minha garganta a pedofilia, o homicídio, agressão a mulher, a poligamia tudo isso em nome deus. Olha, será que o anjo que aparecia para ele era DEUS mesmo? Só se for do deus diabo...

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  5. Islã, se não me engano, vem de submissão. Submeter-se à vontade de um deus que fez o universo e faz com ele o que bem entende, não se conformando a lógicas, morais, éticas, e todas estas limitações mortais. A fé islâmica dá sustento, assim, a quem queira extrair sustento para suas inclinações mais próprias da alma, do sublime ao nefasto, desde que se esteja convicto que é a vontade de deus. Não é privilégio das religiões abraâmicas, concordo, mas o islã tem uma pegada...

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